JANTAR DE GALA
O velho morreu
Sua carne, ou carcaça
Já começa a apodrecer
Tiraram-lhe as entranhas, e cérebro
Tudo aquilo que pode feder
Porque o Papa não fede
Nem pode
Já imaginou o fiel que chega
Na igreja, no átrio
Para ver, olhar, rezar e
Cheirar
Mas, não importa, o que sobra
é que o velho morreu
Está na hora dele saber
Se existe algo do lado de lá
Se o lado de lá é algo mais que ver a Terra
Por outro ângulo
Se houver, não é problema meu
Se não houver, é problema dele.
Será que existe algo lá?
Mas não importa
O velho morreu
Será que os vermes que o vão comer
Saberão quem ele foi em vida?
Será algum banquete especial?
Aquele vermezinho pequeno
Ínfimo e miserável
Está tendo hoje, por jantar
Um prato que nenhum homem do mundo jamais teve.
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