terça-feira, 22 de junho de 2021

 

JANTAR DE GALA


O velho morreu

Sua carne, ou carcaça

Já começa a apodrecer

Tiraram-lhe as entranhas, e cérebro

Tudo aquilo que pode feder

Porque o Papa não fede

Nem pode

Já imaginou o fiel que chega

Na igreja, no átrio

Para ver, olhar, rezar e

Cheirar

Mas, não importa, o que sobra 

é que o velho morreu

Está na hora dele saber

Se existe algo do lado de lá

Se o lado de lá é algo mais que ver a Terra

Por outro ângulo

Se houver, não é problema meu

Se não houver, é problema dele.

Será que existe algo lá?

Mas não importa

O velho morreu

Será que os vermes que o vão comer

Saberão quem ele foi em vida?

Será algum banquete especial?

Aquele vermezinho pequeno

Ínfimo e miserável

Está tendo hoje, por jantar

Um prato que nenhum homem do mundo jamais teve.


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